O início da temporada do São Paulo está sendo muito mais turbulento do que esperado. Entre indefinições políticas, negociações que não avançam e um desempenho em campo considerado abaixo do ideal, a equipe vive um período de instabilidade que tem exigido do técnico Diego Crespo um trabalho constante de gerenciamento de crise. Ao mesmo tempo em que tenta ajustar a dinâmica dentro do campo, ele tem sido chamado a lidar com pressões externas e internas, sem que a paciência da torcida — e da própria diretoria — seja infinita.
A ausência de peças consideradas fundamentais é um dos principais fatores desse cenário. O atacante Jonathan Calleri segue fora e será desfalque na estreia oficial de 2026, o que limita opções ofensivas e força Crespo a buscar alternativas no elenco. Do outro lado, o volante Lucas Wendell tem retornado com necessidade de adaptação, e a sequência de partidas será importante para sua readaptação. Enquanto isso, jovens como Danielzinho tiveram atuações discretas e não conseguiram mudar a dinâmica da equipe nas primeiras partidas, reforçando a sensação de que falta profundidade ao grupo tricolor.
Diante dessas dificuldades, Crespo tem sido enfático em suas entrevistas ao tentar blindar o grupo de críticas e instabilidades. “O São Paulo é maior que todos nós juntos”, chegou a dizer, como forma de reforçar confiança e manter o clima interno minimamente saudável. O treinador também reconheceu abertamente a necessidade de reforços, já pressionado por um elenco enxuto e carente de opções de qualidade em várias posições. Nomes como o de Kevin Zenon, do Boca Juniors, têm sido citados em tentativas de contratação para reforçar o meio-campo e trazer mais dinâmica à equipe.
Essa fase do São Paulo é um retrato claro de um clube grande buscando reencontrar sua estrutura esportiva e institucional. A crise política interna, muitas vezes refletida nos bastidores, tem sua parcela de responsabilidade no ambiente de indefinição. Do lado esportivo, a comissão técnica segue trabalhando para extrair o máximo do elenco disponível, ao mesmo tempo em que clama por tempo para que peças importantes se ajustem e reforços cheguem. Se a temporada vai ganhar um novo rumo a tempo de satisfazer a exigente torcida tricolor ainda é uma pergunta em aberto — e o São Paulo ainda tem desafios pela frente para provar que não está, de fato, em momento de abandono ou fragilidade extrema.



















